Eu te amo, sua tola

ATENÇÃO, ESSA CENA CONTÉM MUITOS SPOILERS PARA QUEM AINDA NÃO LEU “ASCENSÃO”, O SEGUNDO LIVRO DE O SEGREDO DE ESPLENDORA.

A cena se passa na cidade de Vanera, antes da Batalha Secular ser travada, quando os Anjos viviam sozinhos na cidade de Esplendora.

 

Jophiel estava sentado sob a sombra da Árvore da Sabedoria, e seus olhos perdidos no horizonte rosado. Esplendora era sempre muito ensolarada, e ele secretamente desejava ver uma noite que fosse. Ele queria ver a escuridão, as estrelas, a lua a brilhar por sobre sua cabeça. Era, pelo menos, romântico. O azul de seus olhos transparentes reluziu com a luz do sol. Ele tinha a face apoiada nas mãos, embora não estivesse prestando atenção em nada. Um aroma muito conhecido pode ser sentido à distância, mas ele não virou a cabeça para ver quem se aproximava. Ele já sabia.

— Você é minha perseguidora particular. – Ele disse, em voz baixa, não desejando que ninguém o ouvisse.
— Eu estava procurando você. Todos estão; por que você sempre se esconde em Vanera?
— Eu não estou escondido. – Seus lábios curvaram-se em um sorriso curto. Seu cabelo negro, como o mar em noite de tormenta, moveu-se com o vento suave que soprava. – Se estivesse, ninguém me encontraria. Eu só quero um pouco de paz e quietude. Estou cansado de anjinhos loirinhos felizes e saltitantes com seu inexistente senso de humor.
— Você fala assim porque não é loiro. – Ela riu, e sentou-se ao lado dele. Vestia um manto azul, com pequenos diamantes encrustados. Ela não precisava de diamantes, Jophiel considerou. Nada podia brilhar mais do que ela. – E porque seu senso de humor é sombrio. Os Anjos não compreendem o quanto esquisito e assustador você pode ser; você tem que entender isso.
— “Os Anjos”? Soa como se eu não fosse um da sua espécie.
— E você não é! – Ela riu novamente. – Ninguém é como você, Jophiel. Você é único.

Ele ainda olhava o horizonte. Não ousava olhar para ela, porque ele não queria perder-se em seus olhos. E isso acontecia toda vez; ele já estava cansado disso. Ele não queria ter que aceitar seus sentimentos por ela, não queria ter que lidar com algo que apenas o faria fraco e miserável. Ele era Jophiel, e Esplendora o temia. Sempre temeu.

— O que você quer? – Ele perguntou,
— O Conselho está em reunião. Eles estão chamando nós três.
— Eu não estou nem um pouco interessado em atender aos desmandos do Conselho.
— Não seja difícil, Jophiel. – Ela colocou a mão em seu ombro e ele estremeceu. Seus olhos se fecharam por um instante. – Eles não mordem.
— Mas eu sim. – Ele sorriu. – Eu não vou até lá. Se quiser ficar comigo, seja minha convidada. Vanera está ventanosa e os Elfos não se importam com meu cabelo preto sexy. Eu estou até mesmo considerando me mudar para cá. Agora, se quiser ir até o Conselho, diga que não me encontrou.

Ela levantou-se e limpou a poeira de seu manto. Com um suspiro triste, deixou Jophiel e voltou até Esplendora, para sua missão, um pouco desapontada. Ele respirou fundo quando a sentiu ir embora; o som de seus passos se afastando cada vez mais baixo. “Eu te amo, sua tola. Por que você não percebe; o que eu preciso fazer para você me notar?”

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